Quando somos adolescentes, somos tentados a desejar uma história de amor como nos filmes, em que o jogador se apaixona pela garota que ninguém nota, ou aquele em que um estudante misterioso faz dupla com a mocinha em um trabalho e, no fim, eles acabam juntos. Antes disso, encontramos nosso primeiro "Enemies to lovers"(inimigos para amantes) Mônica e Cebolinha. Nos filmes, o amor sempre encontra um jeito. Na vida real, às vezes ele se perde pelo caminho. No meio de tudo isso, há uma busca constante por ser amado. Antes mesmo de entendermos o que é amar, já aprendemos a desejar esse tipo de história. Afinal, por que essa necessidade existe e o que é o amor romântico?
Um dia, assistindo Little Women sozinha, me vi em Jo March. Quando ela diz: "Estou cansada dessa gente que diz que as mulheres são feitas para o amor. Cansada, mas também solitária. Sinto-me sozinha", essa frase me tocou, me senti um pouco ela, senti um desejo repentino de ser outra pessoa. De me encaixar em algum lugar, como se não pertencesse a nenhum dos que vivia. Sentia uma solidão constante, não como uma ausência de amor, mas a sensação de que algo maior me escapava, que eu estava perdida em uma busca incessante por algo que nem sabia bem o que era. O sentimento persiste, ainda que com menor força até hoje, o desejo de ser amada. Não me falta amor em casa, sinto-me amada pelos meus pais e familiares, tenho um bom relacionamento com meus amigos, e não acredito ser odiada por ninguém. Mas, então, por que sinto que preciso de amor? E, assim, me assusto, como me assustava, ao sentir que, mesmo pertencendo, a busca por amor persiste aqui dentro.
Tenho medo de mudar por alguém. Não de mudar porque me sinto bem com isso, mas porque preciso que essa pessoa me ame e fique.
From sprinkler splashes to fireplace ashes
(Dos respingos de irrigadores até as cinzas da lareira)
I gave my blood, sweat, and tears for this
(Eu dei meu sangue, suor e lágrimas por isso)
I hosted parties and starved my body
(Eu organizei festas e me fiz passar fome)
Like I'd be saved by a perfect kiss
(Como se eu fosse ser salva por um beijo perfeito)
The jokes weren't funny, I took the money
(As piadas não tinham graça, eu peguei o dinheiro)
My friends from home don't know what to say
(Meus amigos mais antigos não sabem o que dizer)
I looked around in a blood-soaked gown
(Eu olhei em volta em um vestido encharcado de sangue)
Assim como a Taylor em You're On Your Own, Kid, tentei me encaixar, tentei me moldar para caber em um espaço que não era meu. Como se, ao me encaixar, eu finalmente fosse ser suficiente. Me espremi em uma vida que não me cabia, em um coração que não tinha espaço para mim. Mas eu insistia, como quem tem fome e bate à porta implorando para entrar. Quando ouvia o silêncio da indiferença, continuava, como se fosse normal. Aos poucos, fui me diminuindo para tentar passar pela fresta da porta. Todo meu esforço foi em vão. Ele abriu a porta, e eu imaginei que entraria. Mas era apenas para colocar uma tranca. Para sempre.
Eu sabia. Por muito tempo soube. Não havia mais sentido em estar ali. Mas, de alguma forma, aquele desconforto já tinha se tornado familiar. E eu quis ficar. Porém, ainda havia aquela velha e familiar dor, quando você sabe quando é hora de ir. E eu sei que ele não é o vilão. Nós dois estávamos cegos para ver circunstâncias que poderiam ter sido previstas, dançando os passos certos para danças diferentes.
Acho que, no fundo, todos desejamos ser amados por alguém que não tem motivos para nos amar. Que não tem um laço sanguíneo nem um coração perfeito, mas, ainda assim, escolheu amar e ficar, só que nem sempre vem dessa forma. O fato é que precisei me quebrar para entender que meus pedaços são feitos apenas para mim. Não posso tentar me encaixar onde minha peça não cabe. Não posso me forçar, me cortar, porque nunca serei a peça certa para o quebra-cabeça errado.
Imagino que o amor é mais do que tudo isso que vivemos, fazemos e sofremos. Talvez ele não tenha explicação racional, talvez é ser quem somos, e o outro ser quem é, sem esforços além do que podemos suportar, para sermos completos em dois, sem nunca ter deixado de ser completos em um.
Acredite, pode acontecer de você amar alguém que não te ame, não te ame na mesma medida ou te ame, mas escolha ir. Estamos totalmente sujeitos a isso, e, por mais que doa, não significa que seu amor tenha sido em vão. Algumas histórias não foram feitas para durar, mas isso não diminui a beleza do que foi sentido. Talvez o problema não esteja no amor em si, mas na forma como o busco, como se fosse algo a ser conquistado e não algo que surge naturalmente, sem pressa, sem esforço. E amar, no fim, nunca é o erro, o erro está em se perder tentando ser amado. Sei que um dia o amor vai chegar para mim, e eu vou me alegrar em ser completa em dois, como era em uma.
Mas afinal, voltando a pergunta da introdução, o que é o amor romântico? Ainda não sei, acredito que ele é inesgotável e inacabável. Um espaço onde dois inteiros coexistem sem se perder, um encontro entre dois inteiros, onde ninguém precisa se quebrar para caber.
People love an ingénue